segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Por que existe tudo ao invés do nada?






“O que situa o homem acima das outras criaturas é o fato de ter consciência da sua finitude.” –Jim Holt


Há muito o homem tem questionado os meandros da vida, sua origem, seu destino e o propósito de sua existência neste meio tempo. Mas há uma questão primeva, aquela cujos filósofos tentam desvendar a anos: Por que existe algo ao invés do nada? Filósofos como Sidney Morgenbesser afirmam que o nada não seria suficiente, numa pilhéria que demonstra o quão perdido estamos em encontrar respostas. O fundamental não é a resposta em si, mas o que podemos descobrir enquanto buscamos uma resposta final para aquela que é a maior de todas as perguntas.


Há várias teorias sobre a nossa existência, da criação ao darwinismo passando pela teoria dos multiversos 2.0 (muito explorada no filme Matrix). Às teorias faltam comprovações e certezas, o que nos leva a uma busca incessante. Neste meio termo surgiram mais perguntas: quem somos nós? De onde viemos? Para onde vamos? Num mundo pós-moderno pregar verdades absolutas tornou-se uma armadilha, uma faca de dois gumes. Cada um deve buscar sua resposta, sua verdade, afinal, eu melhor do que ninguém, devo saber qual minha missão na Terra e em que acreditar.


Religiões, filosofias, sabedorias orientais têm sido ferramentas que buscam orientar a humanidade para sobreviver na jornada. Apesar de estarmos buscando respostas, é senso comum que ninguém a encontrou definitivamente. Dentro da fé cristã, crê-se que existe um Deus todo poderoso que em sua infinita sabedoria criou todas as coisa do nada e nos colocou exatamente aqui para adorá-lo e resplandecer sua glória. Mas, e aqueles que não compartilham da fé cristã? E a ciência, o que diz a respeito?


O Darwinismo nos apresenta a evolução a partir de uma explosão cósmica, o Big Bang, onde há 14 bilhões de anos o universo começou a expandir, e de apenas uma bactéria surgiu toda a vida, evoluindo em espécies e mais espécies sobre a terra. Algumas sendo extintas das formas mais bizarras e desconhecidas possíveis, outras nascendo e tomando o lugar daquelas, criando novas e infinitas espécies, muitas ainda desconhecidas pelo homem em nossos dias, esperando pelo momento de vir à luz das descobertas.


A teoria dos multiversos crê que houve um arquiteto para um universo, que evoluiu, criou programas de computadores e simuladores de realidade, criando outros universos paralelos ao original, e que fazemos parte de simulações de computadores, algo bem ilustrado no filme Matrix (sim, aquilo é uma visão filosófica da existência). E cada vez mais o homem tem buscado respostas e mais respostas para sua existência e seu propósito.


A ciência tenta explicar o peso da religião para o homem. Segundo a revista Superinteressante, em um artigo intitulado “Deus é coisa da sua cabeça”:


A ciência não conseguiu comprovar a existência ou inexistência de Deus. Mas uma coisa o conhecimento racional deixa cada dia mais clara: religião faz bem para a saúde. O motivo? Para o médico americano Andrew Newberg, autor do livro Why God Won’t Go Away (“Por que Deus não vai embora”, sem tradução em português), a resposta está na arquitetura neurológica do nosso cérebro. Para ele, o mais desenvolvido órgão humano é especialmente calibrado para a experiência espiritual.[1]


Parece-nos que até mesmo a ciência se rende ao metafísico naquilo que muitas vezes ela falha em compreender. Alguns preferem achar que tudo envolve apenas o homem:


I'm selfish and responsible. I want the credit and I'll take the blame. Earth created man, man created God - (while you indoctrine some into action) I'm not passive enough to allow some invention to take it all. (Eu sou egoísta e responsável. Eu quero o crédito e eu vou levar a culpa. A Terra criou o homem, o homem criou Deus – [enquanto você doutrina alguns em ação] Eu não sou passiva suficiente para permitir tal invenção tenha tudo.)[2]


Antropologicamente se vê a necessidade do homem em atribuir ao divino a responsabilidade por tudo aquilo que ele não entende. Com o surgimento do movimento filosófico conhecido por Iluminismo, no século XVIII, que prezava exclusivamente pela razão, começou a quebra dos mitos. Friedrich Nietzsche em sua célebre frase "Deus está morto" sintetizou o sentimento daquela época. Não que Deus de fato tivesse morrido, mas incapacidade da religião em responder muitas questões da humanidade relegou Deus e os deuses ao segundo plano, agora o homem e sua razão procurariam respostas por sua conta e risco.


Ainda podemos buscar entender qual o nosso propósito dentro da existência e do universo. As disparidades entre os humanos são variantes conforme região. Não conseguimos nos entender, somos etnocêntricos, irresponsáveis com nosso meio ambiente, com nosso próximo, e ainda assim vemos nossas capacidades como superiores a de qualquer outro ser que habita nosso planeta. No ocidente vivemos em uma eterna corrida do ouro moderna, onde o ter suplanta o ser. Problemas psicológicos se tornaram lugar comum. Sentimos a solidão tão latente em nossos dias apesar de estarmos cercados, vivemos em metrópoles cada vez mais cheias e cada vez mais nossa busca por uma resposta parece urgente.


No oriente as religiões ainda têm um peso muito grande. Sociedades onde o estado e a religião andam de mãos dadas como os países islâmicos. Países onde cada um cria seu deus com o intuito de preencher um vazio e um medo crescentes. Zygmunt Bauman, filósofo e sociólogo polonês cunhou o termo líquido para descrever nossos dias. Dias em que faltam bases sólidas para firmarmos nossas ideias. Ondas crescentes de violência e incertezas transformaram o mundo em um poço de ambivalência. Uns correm para Deus e outros desistem de crer em qualquer coisa quem lhes façam ter esperanças, pois a esperança torna-se vã em suas filosofias.


Por qual resposta buscamos de fato? Serão elas suficientes ou a humanidade verá seu fim vazia de significado tornando vã toda busca pelo conhecimento já que não teremos conhecido a nós mesmos e ao nosso propósito? Respostas, de fato, nós não temos. Mas a humanidade sempre terá forças para buscá-las, afinal, são os questionamentos que movem o mundo.


[2] Música Predator and Prayer da banda canadense The Agonist

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